quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Morte, o algoritmo da vida













Não adianta, não tente lutar: é inevitável! A morte é nosso algoritmo aqui no Brasil. Todos, ou na sua maioria, trabalham para ganhar um baixo salário, pagam suas contas, constroem e sonham. Mas ninguém tem a consciência de que a morte é o algoritmo da transformação no Brasil. Explico: para muitas coisas mudarem, para melhor é claro, é preciso uma grande tragédia e muitas vidas ceifadas para que se tomem providências. Tomamos como exemplo as chuvas que assolam os grandes centros urbanos do país como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e muitos outros. Pessoas morrem todos os anos nessas cidades para que o poder público tome alguma providência, ou pior, não tomam nenhuma providência na infra-estrutura das mesmas. Alguém saberia dizer o porquê? Vou ajudar! Nenhum Governo investe em infra-estrutura em periferia porque o que está embaixo da terra ninguém vê e não gera votos. Vivemos com a morte sempre nos cercando em tudo. Não somente no cotidiano, mas também na arte, na cultura. Na arte podemos afirmar que depois que o artista morre sua obra valoriza, seu reconhecimento aumenta entre a elite intelectual do país, ganha mais espaço na mídia. Infelizmente este algoritmo é a medida das coisas neste país, precisamos morrer para explicitar as deficiências e dificuldades que temos em nosso cotidiano. É necessária a morte para enxergarmos a vida como ela é; cheia de problemas para variar, com ela vendem-se jornais, revistas, temos audiência nos telejornais. Enfim, a morte gera uma gama de negócios lucrativos, que, se o Estado tentar evitá-la (em catástrofes naturais, e acidentes) seria ruim para muitos que vivem alheios a outras realidades existentes em um país que dorme em berço esplêndido. Mas o direito à vida nos é garantido pela Constituição de 1988, mas é ambígua a política que é adotada pelos nossos governantes. É preciso que a vida seja o algoritmo das coisas, que o ser humano seja prioridade, princípio, meio e fim de nossa sociedade, economia e tecnologia. Precisamos recalcular nossa rota, nossa sociedade, temos que mudar este algoritmo nefasto que ceifa vidas, tantas e tantas vezes em vão, sem que haja mudanças, sem que se mude nada. Façamos os cálculos antes que seja tarde, antes que nossa própria vida seja subtraída.





3 comentários:

  1. O Alexandre sempre deixa sua opinião forte, construtiva e crua das coisas.
    Humilhando os ignorantes, com todo o respeito.
    Uma pessoa que merece aplausos e reconhecimento (antes da morte, claro)...

    Um dia quem sabe, eu consiga chegar lá...
    Parabéns!

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  2. Belo texto Alexandre. Somos reféns da morte aqui no Brasil. Vale lembrar as milhares de mortes por ano em estradas ruins e não duplicadas que nós temos por aqui.

    Grande abraço

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  3. gostaria saber como me comunicar com vc?!!

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